domingo, 9 de novembro de 2008

Após nova reforma, a Igreja do Carmo, em Pirenópolis, reabrirá as portas



Dez anos após anunciado, o Museu de Arte Sacra de Pirenópolis (GO) finalmente deve sair do papel. O acervo ficará guardado na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Erguida há quase 260 anos, ela passará por pequenas adaptações para receber imagens de santos, outros itens religiosos e peças do folclore goiano. As obras, coordenadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), devem ser concluídas em março e custarão R$ 100 mil aos cofres públicos.


O templo passou por restauração de R$ 120 mil, concluída há sete anos, justamente para virar museu de arte sacra. Mas nunca foi aberto à visitação, por falta de entendimento entre o Iphan e os representantes da Igreja Católica em Pirenópolis. Em um primeiro acordo, o custo da restauração ficaria a cargo do Iphan. Essa parte foi cumprida. Faltou a contrapartida. Após a reforma, os religiosos alegaram não ter dinheiro para a montagem e manutenção do museu.

Acesso proibido
Agora, ambas as partes firmaram novo acordo. “As novas autoridades católicas de Goiás aceitaram a proposta de transformarmos as três igrejas de Pirenópolis (veja quadro) em espaço de cultos religiosos e de contemplação dos turistas”, explica o arquiteto Sílvio Cavalcante, do Iphan. Até então, padres restringiam o acesso de visitantes aos templos, mesmo após restaurações realizadas pelo Iphan com dinheiro dos contribuintes.

Parte do acervo que ficará exposto no museu de arte sacra ornamentava a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, demolida em 1944 por ordem da Diocese de Goiás. A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi construída a poucos metros da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, entre 1743 e 1757, por escravos da região.

Sem as jóias e o ouro que os portugueses empregaram na ornamentação das igrejas dos brancos, a de Nossa Senhora do Rosário de Pirenópolis recebeu trabalho primoroso de entalhes e pinturas em madeira características do barroco brasileiro. Mas acabou desfigurada por sucessivas reformas. Após a demolição do templo feito e freqüentado por escravos e descendentes, suas obras de arte foram levadas para outras igrejas ou vendidas.


Está no Correio Brasiliense de 08/11/2008 por Renato Alves http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2008/11/08/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=47115/noticia_interna.shtml